D. Pedro I é frequentemente associado ao momento da independência do Brasil, em 1822. Essa imagem, porém, não dá conta de uma vida política dividida entre dois reinos e duas crises constitucionais. A sua biografia ganha outra escala quando é lida em relação às transformações que ocorreram no Brasil e em Portugal.
Uma corte no Rio de Janeiro
A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, alterou a posição do Brasil dentro do império. D. Pedro chegou à América ainda criança e permaneceu no Rio quando o pai, D. João VI, regressou a Portugal em 1821. A pressão das Cortes portuguesas para reverter parte das mudanças e recentralizar o governo contribuiu para o conflito político que antecedeu a independência.
Independência e construção do Estado
Em 1822, D. Pedro proclamou a independência e tornou-se imperador do Brasil, mas a separação não encerrou as disputas sobre a organização do novo país. A Constituição de 1824 consolidou uma estrutura de governo centralizada, enquanto conflitos políticos e regionais continuaram a desafiar o poder imperial. A independência foi um processo de afirmação política, não uma solução imediata para as tensões do território.
O regresso à política portuguesa
Em 1831, perante oposição crescente no Brasil, D. Pedro abdicou em favor do filho, ainda menor, e regressou a Portugal. Aí envolveu-se na disputa pelo trono e na defesa dos direitos de D. Maria II contra o irmão, D. Miguel. A sua passagem entre os dois países mostra como a mesma figura podia ocupar lugares distintos em projetos políticos que não eram idênticos.
